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Casos Clínicos: Esquizofrenia



A esquizofrenia tem sido um dos transtornos que mais intriga os profissionais da saúde mental, pela capacidade elevada do sujeito emitir comportamentos incoerentes com sua história de vida, bem como apresenta comportamentos que são conhecidos na comunidade verbal como “insano”. São pessoas que têm ideias incompatíveis com a realidade, veem, ouvem, sentem e até conversam com seres imaginários. Por muito tempo foram discriminadas, vivendo sob péssimas condições e recebiam pouca atenção dos serviços de saúde. Criaram-se instituições voltadas ao “armazenamento” dessas pessoas e começaram a se debruçar sobre este problema de saúde pública, até que direitos foram conquistados e a ciência trouxe pesquisas para entender o funcionamento desses sujeitos. Hoje, a realidade é outra. Embora muito se tem avançado em termos de pesquisa, a esquizofrenia pode ser melhor compreendida sob o olhar funcional da análise comportamental e não só isso, esta ciência tem comprovado sua eficácia por meio de experimentos que melhoraram significativamente a vida dessas pessoas promovendo um ambiente mais produtivo e menos incapacitante.

No Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos mentais (DSM), em sua quinta edição, a esquizofrenia aparece dentro de um espectro, chamado “espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos”. Ajustam-se nesse espectro, a esquizofrenia, outros transtornos psicóticos e o transtorno (personalidade) esquizotípico. Tais transtornos possuem dois tipos de “sintomas” que se desdobram em outros. Os “sintomas” positivos são aqueles comportamentos que o sujeito passou a emitir, ou seja, apareceram novos comportamentos no repertório do mesmo, como delírios, alucinações, pensamento (discurso) e comportamento motor desorganizado ou anormal (catatonia) Os “sintomas” negativos são aqueles comportamentos que se extinguiram do repertório do organismo, ou seja, o mesmo não emite os comportamentos que estavam instalados em seu repertório, passando agora a ser mais introspectivo e/ou apresentando embotamento afetivo.

Vale ressaltar que os sintomas apresentados àcima são entendidos dessa forma pela comunidade médica a qual baseia os critérios de classificação dos transtornos apenas no aspecto orgânico. O DSM-V enquanto referencial utilizado pelos profissionais da saúde, apresenta os comportamentos como sendo sintomas de um transtorno, no entanto a análise do comportamento compreende estes sintomas como comportamentos que o organismo emite sendo causado pelo ambiente que o mantém não como sendo “sintoma” de algo interno ao indivíduo. A esquizofrenia aparece no DSM-V com o código F 20.9. Os critérios diagnósticos estabelecidos pelo DSM-V, afirmam que os sintomas a seguir devem apresentar-se por um período de tempo de um mês: delírios, alucinações, pensamento (discurso) desorganizado, atividade motora desorganizada (catatonia) e sintomas negativos (expressão emocional diminuída). O indivíduo esquizofrênico é chamado de psicótico e recebe este nome por apresentar dois principais desses  “sintomas” listados acima: delírio e alucinação. Para que o leitor entenda melhor, delírios são crenças irreais que o sujeito passa a relatar, sendo inconiventes com a realidade, por exemplo, uma pessoa com delírio persecutório, relata que o tempo todo alguém está lhe perseguindo ou lhe observando, quando na realidade isso não é comprovado. Alucinações são alterações na sensopercepção, onde o sujeito experiencia a presença de estímulos que não estão presentes no ambiente, por exemplo, uma pessoa com alucinação auditiva relata ouvir vozes dando ordens para que ela faça alguma coisa. Vale ressaltar que a presença de delírios e alucinações não significa que o indivíuo tem esquizofrenia, estes comportamentos não são exclusivos deste transtorno mas que também podem aparecer em outras condições a que o sujeito está vivenciando. No caso da esquizofrenia, delírios e alucinações são pontos-chave para o diagnóstico.

O hábito de buscar dentro do organismo uma explicação do comportamento, conforme visto nos parágrafos acima embasados no DSM-V, tende a obscurecer as variáveis que estão ao alcance de uma análise científica. Estas variáveis estão fora do organismo, em seu ambiente imediato e em sua história de vida. (Skinner, 1953, p. 33) Nesse sentido, na abordagem analítico comportamental, o comportamento assume um papel primário, em vez de secundário, sem nenhuma outra entidade localizada subjacente (Bueno e Britto, 2013, pg. 64). Apesar de que o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais seja referência em termos de diagnóstico médico psiquiátrico, a filosofia da análise do comportamento não se baseia neste manual, posto que a compreensão do comportamento humano se dá de forma funcional e multideterminada. Dessa maneira, o DSM-V descreve a topografia do comportamento não a sua funcionalidade, sendo este o principal foco de estudo do Behaviorismo Radical de B. F. Skinner. Este Manual classifica a esquizofrenia, entre outros transtornos, como algo interno ao indivíduo, imutável e biológico não como um comportamento modelado e mantido pelo ambiente que o produz. As origens do “comportamento doente” e os fatores que o mantém diferem de pessoa para pessoa. A química do corpo, a herança e as histórias comportamentais, todas podem estar envolvidas. (SIDMAN, 1995, pg. 180). Complementando, Bueno e Britto (2013) afirmam que a pessoa esquizofrênica é a soma dos efeitos históricos e presentes, e o seu comportamento atual interage tanto com as contingências ambientais de reforçamento e punição quanto com os efeitos de sua história.

Não se pode negar que a genética tem um peso relativamente importante nas causas do comportamento esquizofrênico, mas não se pode atribuir apenas a este aspecto a responsabilidade pelo indivíduo apresentar esquizofrenia. O ambiente ao qual o sujeito está inserido é responsável por contribuir para esse diagnóstico. É comum que pessoas com esquizofrenia passaram por situações de vida que lhe incentivaram a criar uma nova realidade para fugir dos aversivos sociais. Abuso de substância, histórico de rejeição e abandono, bem como situações traumáticas podem tornar sujeitos vulneráveis a apresentar essa distorção da realidade. Para Skinner (1979), o comportamento psicótico é parte ou parcela do comportamento humano e o que é chamado na literatura de sintoma deve ser compreendido como comportamento e como tal deve ser analisado. Ou seja, apresentar comportamentos de esquizofrenia, não significa dizer que o sujeito é apenas esquizofrenico em sua totalidade, mas que ele emitirá determinados comportamentos sob determinadas condições. Ninguém delira e alucina o tempo todo. Para que estes e outros comportamentos do esquizofrênico seja emitido, tem-se um ambiente que funcionalmente contribui para isso. Em pesquisas realizadas no Brasil, Ilma Britto tem comprovado que a “atenção social” tem sido uma importante variável na manutenção da esquizofrenia, principalmente quando essa é a forma que o sujeito encontrou de controlar o ambiente.

Por fazermos parte de uma sociedade onde a indústria farmacêutica tem poder sobre o mercado do consumo de medicamentos, a explicação tradicional de esquizofrenia, coloca o uso do medicamento como primeira opção para o tratamento da esquizofrenia. Os medicamentos utilizados por pessoas diagnosticadas como esquizofrênicas, são classificados como antipsicóticos ou neurolépticos, os quais vêm se popularizando desde a década de 1950 com o descobrimento da clorpromazina.  Antipsicóticos agem no sistema nervoso central como inibidores de recapitação de dopamina, neurotransmissor responsável pelo comportamento esquizofrênico, segundo a explicação médico-psiquiátrica. Conforme Raposo e Pedroso (2014, p. 97), a redução de tecido cerebral, hipertrofia dos ventrículos laterais, menor volume de substância branca ou cinzenta no cérebro, dentre outras anomalias.

O tratamento medicamentoso pouco tem contribuído para a ampliação de um repertório de comportamento capaz de habilitar o sujeito a lidar com as situações aversivas que enfrenta. Do contrário, o trabalho do psicólogo analista do comportamento tem mostrado a eficácia do tratamento, melhorando significativamente os comportamentos-problema que essas pessoas emite. É um trabalho que requer aliados como os familiares afim de promover um ambiente mais produtivo e com variabilidade comportamental para a pessoa com esquizofrenia.

 

Diego Marcos Vieira da Silva

Graduando em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas

 

 

Referências:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 992p.

BUENO, Gina Nolêto. BRITTO, Ilma A Goulart de Souza. A esquizofrenia de acordo com a abordagem comportamental. 2013. Curitiba: Juruá.

SIDMAN, Murray. Coerção e suas implicações. (R. Azzi; Andery, M.A., trads) Campinas: Editorial Psy. (Originalmente publicado em 1989).

SKINNER, B.F. (1979). O que é comportamento psicótico? Em T. Millon (Org.), Teorias da psicopatologia e personalidade, pp. 188-196. Intaramericana: Rio de Janeiro. (A obra de Skinner foi publicada originalmente em 1956)

SKINNER, B.F. (2003). Ciência e comportamento humano. Tradução organizada por J.C.Todorov & Azzi 11ª edição. São Paulo: Martins Fontes Editora. (trabalho original publicado em 1953)

 


1 comentario sobre “Casos Clínicos: Esquizofrenia”

  1. Cleia Souza disse:

    Parabéns Diego por mais um texto excelente.

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