Renasce Salgadinho: obra bilionária em promessas, milionária em custos e alvo de críticas
Apresentado em 2021 pela Prefeitura de Maceió como a maior obra ambiental e de saneamento da história de Alagoas, o projeto Renasce Salgadinho teve início com previsão orçamentária de R$ 76 milhões. Ao longo da execução, no entanto, o valor foi sendo ampliado por meio de aditivos contratuais, até se aproximar dos R$ 200 milhões, quase o triplo da estimativa inicial.
Apesar da escalada nos custos, a comunicação oficial da gestão municipal segue destacando o valor original da obra, sem detalhar os reajustes. A condução do projeto também foi marcada por sucessivos adiamentos na entrega, sem explicações claras à população.
Com a inauguração finalmente concluída, começaram a surgir questionamentos sobre a efetividade da intervenção. A vereadora Teca Nelma, com base em relatório do Instituto do Meio Ambiente, afirma que a poluição na região da Praia da Avenida permanece inalterada. Segundo ela, a promessa de despoluição do Riacho Salgadinho não se concretizou, mantendo problemas como lançamento de dejetos e contaminação da água.
O ex-prefeito Corintho Campelo também criticou o resultado, classificando a obra como uma “maquiagem urbana”. Para ele, houve investimento significativo em estética, mas sem enfrentar o problema estrutural da poluição. Campelo defende que o Ministério Público investigue a aplicação dos recursos.
Na cerimônia de inauguração, o então prefeito João Henrique Caldas ressaltou o aspecto urbanístico do projeto, comparando-o a iniciativas internacionais e destacando a transformação visual do espaço. Não houve, porém, detalhamento sobre avanços concretos no saneamento ou na despoluição do riacho.
A obra divide opiniões. De um lado, aliados da gestão destacam a requalificação das margens, com novos espaços de convivência, ciclovia e paisagismo. De outro, críticos apontam que o principal objetivo ambiental não foi alcançado.
O cenário atual revela um contraste evidente: áreas revitalizadas e urbanisticamente valorizadas, ao lado de um curso d’água que ainda carrega sinais de poluição histórica. O caso reacende o debate sobre transparência, prioridades e a efetividade de grandes obras públicas.


