Colapso na assistência obstétrica: maternidade Santa Mônica, em Maceió, opera com lotação máxima e pacientes são atendidas fora dos leitos
A Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), localizada em Maceió, atingiu 100% de ocupação dos seus 53 leitos obstétricos nesta terça-feira (28), evidenciando um cenário de forte pressão sobre a rede pública de saúde materna no estado.
A situação veio à tona após a divulgação de um vídeo pela presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Sílvia Melo. As imagens, gravadas durante o plantão noturno da última segunda-feira (27), mostram gestantes acomodadas em poltronas na área de triagem, devido à ausência de leitos disponíveis. Segundo a médica, ao menos 11 pacientes estavam nessa condição, o que, segundo ela, compromete a qualidade da assistência.

“Quando é que os gestores vão entender que a superlotação só prejudica a população que é atendida?”, questionou Sílvia Melo ao denunciar o cenário.
Em nota, a direção da unidade confirmou a superlotação e informou que, diante da alta demanda, foi necessário improvisar leitos extras na triagem. No momento da divulgação das informações, 14 gestantes estavam sendo atendidas nesse espaço.
A maternidade atribui o problema a um “cenário sistêmico”, caracterizado pela elevada procura por serviços obstétricos de média e alta complexidade. De acordo com a gestão, a situação evidencia fragilidades na rede de atenção básica, especialmente na oferta e qualidade do pré-natal nos municípios.
Apesar das dificuldades, a direção reforçou que a unidade mantém funcionamento ininterrupto e segue recebendo pacientes encaminhadas pela Central de Regulação de Leitos do Estado. Segundo a nota, a recusa no atendimento de gestantes de alto risco poderia gerar impactos ainda mais graves para a saúde materna e neonatal em Alagoas.
O eepisódio reforça a necessidade de ampliação da rede obstétrica e melhor distribuição da assistência, sobretudo fora da capital, para evitar a sobrecarga de unidades de referência como a MESM. “Como profissionais, ficamos de mãos atadas e atendemos com a mesma dedicação e responsabilidade, mesmo com a superlotação. Mas é desconfortável vermos mulheres serem atendidas fora dos leitos normais. Principalmente, por se tratar de pacientes de alto risco”, disse uma profissional que não quis ser indetificada.
