Eudócia entra no jogo, trava espaço e acirra disputa pelo Senado em Alagoas
A senadora Eudócia Caldas (PSDB) decidiu ir à reeleição em 2026 e já se movimenta em ritmo acelerado de pré-campanha. A recente mudança no nome das redes sociais para “Eudócia JHC” escancara a estratégia: atrelar sua imagem ao projeto político do filho, JHC, pré-candidato ao governo de Alagoas.
Até poucos dias atrás, o futuro da senadora ainda era tratado com cautela dentro do grupo. Outras alternativas estavam sobre a mesa, como Marina Candia e o próprio JHC. A definição, no entanto, resolve uma peça-chave na montagem da chapa majoritária tucana e antecipa o desenho do palanque: JHC ao governo, Ronaldo Lessa como vice e Eudócia na disputa pelo Senado.
Do outro lado, o roteiro se repete. No MDB, Renan Filho já bateu o martelo ao indicar o pai, Renan Calheiros, como parceiro de chapa na corrida pela reeleição ao Senado. O movimento consolida dois blocos fortes e, ao mesmo tempo, comprime o espaço para novas alianças.
Com duas vagas em disputa e pelo menos cinco nomes competitivos, a corrida promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos. Além de Eudócia e Renan Calheiros, aparecem no radar o deputado federal Arthur Lira (PP), o ex-deputado Davi Davino Filho (Republicanos) e o deputado Alfredo Gaspar (PL), que ainda avalia se entra na disputa ao governo.
O histórico recente mostra que não há favoritos absolutos. Em 2018, Rodrigo Cunha saiu de uma posição considerada improvável para se tornar o senador mais votado da história do estado.
Neste momento, apenas Eudócia e Renan Calheiros contam com palanques de governador definidos. Os demais ainda buscam viabilidade política. O grupo de Arthur Lira avalia lançar candidatura própria ao governo, mas enfrenta dificuldades. Nomes como Jó Pereira e Davi Davino Filho foram cogitados, sem avanço. Já Alfredo Gaspar condiciona seus próximos passos a possíveis mudanças no posicionamento político de JHC.
Nos bastidores, apesar de ruídos recentes, Lira e JHC voltaram a dialogar por meio de interlocutores. Enquanto isso, no grupo de Renan Filho, a segunda vaga ao Senado segue em aberto e depende da movimentação da oposição. Já no campo de JHC, a prioridade é clara: garantir a reeleição de Eudócia.
O resultado desse tabuleiro é pressão crescente sobre os pré-candidatos sem palanque consolidado e a possibilidade real de surgimento de uma terceira via na disputa pelo governo.
Uma coisa, porém, está definida: tanto para JHC quanto para Renan Filho, não há espaço para negociação. As candidaturas de Eudócia e Renan Calheiros são tratadas como inegociáveis — e devem pautar o rumo da eleição em Alagoas.

