MP aponta vingança e motivo torpe em julgamento de madrasta acusada de jogar enteado do 4º andar em Maceió

A promotora de Justiça Dilza Inácio de Freitas afirmou, nesta quarta-feira (25), que a madrasta acusada de arremessar o enteado de seis anos do quarto andar de um apartamento no Benedito Bentes, em Maceió, agiu por vingança contra o pai da criança após uma briga motivada por ciúmes.

O julgamento ocorre no Fórum do Barro Duro. Representando o Ministério Público de Alagoas, a promotora sustenta que o caso configura tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Segundo a acusação, o crime aconteceu por volta da 1h da madrugada. O menino estava dormindo quando foi arremessado pela janela do apartamento, localizado no quarto andar do prédio.

“É uma tentativa de homicídio qualificado. A motivação foi torpe, cruel, como forma de vingança contra o pai, atingindo a criança, que estava dormindo e totalmente vulnerável”, declarou a promotora em plenário.

De acordo com o Ministério Público, a própria vítima confirmou, em depoimento especial, que foi a madrasta quem a jogou pela janela. A promotora destacou que a criança relatou que estava dormindo no momento em que foi retirada da cama.

A acusada confessou ter arremessado o menino, mas alegou que não teve intenção de matá-lo. Em juízo, afirmou que queria apenas “dar um susto” no companheiro. Para a acusação, no entanto, a intenção está evidenciada na própria conduta.

“A intenção quem demonstra é a ação. Quem joga uma menino do quarto andar assume o risco de matar. No plenário do júri se julgam crimes dolosos contra a vida”, afirmou a representante do MP.

Briga e ameaça

Ainda conforme a promotoria, o crime foi precedido por consumo de bebida alcoólica e desentendimentos entre o casal.

Segundo os autos, os dois passaram a tarde ingerindo álcool. Ao retornar para casa, a acusada teria insistido para que o companheiro continuasse bebendo com amigos em um churrasquinho próximo ao prédio. O pai decidiu subir, deu banho no filho e o colocou para dormir antes de voltar ao local para buscar a companheira.

No churrasquinho, conforme relato apresentado no julgamento, ele teria flagrado a ré se insinuando para outro homem. Houve discussão, troca de ofensas e agressões físicas entre a acusada e a namorada desse homem.

Após a confusão, de acordo com a denúncia, a mulher danificou a motocicleta do companheiro, arrancou a placa e teria afirmado: “Eu vou matá-lo”.

Para o Ministério Público, a sequência de acontecimentos demonstra que o arremesso da criança foi um ato de retaliação direcionado ao pai, utilizando o próprio filho como meio de vingança. O caso segue em julgamento pelo Tribunal do Júri.

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