Indústria brasileira vê alívio após decisão da Suprema Corte dos EUA, mas pede cautela
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal o tarifaço implementado pelo presidente Donald Trump foi recebida com comemoração moderada pelo setor produtivo brasileiro. Apesar do alívio imediato, lideranças industriais destacam que o momento ainda exige prudência diante das incertezas sobre os próximos passos da política comercial norte-americana.
Levantamento da Confederacao Nacional da Industria (CNI) aponta que a suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40% impostas ao Brasil pode impactar o equivalente a US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. O montante revela a dimensão do peso das sobretaxas sobre a balança comercial e sobre cadeias produtivas estratégicas.
“O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban, ao destacar que a entidade acompanha o desdobramento com atenção e cautela.
Setor têxtil aguarda definições
Entre os segmentos mais afetados, o setor têxtil aguarda um posicionamento claro da Casa Branca sobre o futuro da política tarifária. Segundo a Associacao Brasileira da Industria Textil e de Confeccao (Abit), as sobretaxas chegaram a superar 70% em alguns casos, tornando o comércio praticamente inviável.
O CEO da Abit, Fernando Pimentel, afirmou que a expectativa é de que eventuais revisões reduzam custos e permitam a retomada gradual dos embarques ao mercado norte-americano. A possibilidade de reembolso das tarifas pagas, contudo, deve ser debatida principalmente dentro dos próprios Estados Unidos.
De acordo com a entidade, eventuais disputas judiciais tendem a ocorrer em tribunais inferiores norte-americanos e devem ser conduzidas pelas empresas que arcaram diretamente com os custos e possuem documentação para contestação.
Indústria pede previsibilidade
A Federacao das Industrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) classificou a decisão como um passo importante, mas ressaltou que o cenário ainda é incerto. Para o presidente da entidade, Flávio Roscoe, a indústria precisa, acima de tudo, de previsibilidade para planejar investimentos e exportações.
Já a Associacao Brasileira da Industria do Plastico (Abiplast) avaliou o entendimento da Suprema Corte como um alívio momentâneo, mas informou que seguirá monitorando os efeitos práticos da decisão sobre o setor.
As entidades convergem em um ponto: a necessidade de um ambiente de negócios mais estável, transparente e favorável à competitividade das exportações brasileiras. Enquanto aguardam definições oficiais do governo norte-americano, empresários defendem diálogo diplomático e segurança jurídica para evitar novos sobressaltos no comércio bilateral.
*Com informações da CNN Brasil
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