Alagoas entra na contagem regressiva: poder, risco e cálculos eleitorais dominam bastidores

 

Os próximos 40 dias prometem redesenhar o mapa político de Alagoas. O prazo final para filiação partidária e desincompatibilização será no dia 4 de abril. Até lá, discursos precisam virar atos e cargos, trampolins eleitorais. O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), já iniciou seu desembarque do governo federal. A agenda Brasil afora, com forte apelo popular, funciona como estratégia de despedida e vitrine eleitoral.

A movimentação indica que a candidatura ao governo de Alagoas não é mais hipótese, mas roteiro em execução. O retorno definitivo ao Estado, previsto para o fim de março, sela a transição.

Enquanto isso, em Maceió, o prefeito JHC (PL) enfrenta uma decisão que pode definir sua trajetória. Diferentemente de Renan Filho, que ainda teria mandato de senador a preservar, JHC precisa escolher entre permanecer no cargo até o fim ou renunciar para disputar o governo ou o Senado. Se perder, fica sem mandato. O risco é alto e absolutamente calculado.

No auge da popularidade, aliados avaliam que JHC teria competitividade em qualquer cenário, especialmente na disputa pelo Senado. Nos bastidores, comenta-se ainda a possibilidade de ampliar o capital político elegendo a esposa, Marina, para a Câmara Federal, além de fortalecer a base na Assembleia Legislativa. A operação é ambiciosa: sair da prefeitura não apenas para disputar, mas para expandir influência.

Caso renuncie, quem assume é o vice-prefeito Rodrigo Cunha. Ele deixou o Senado em 2024 para compor a chapa como coadjuvante e agora pode se tornar protagonista. Assumir a prefeitura da capital significa administrar a maior vitrine política do Estado e também herdar seus desafios estruturais. A expectativa de poder já movimenta conversas internas e possíveis rearranjos administrativos.

Mesmo sem anúncio oficial, a transição informal parece inevitável. O cenário não se limita aos nomes mais conhecidos. Outros pretensos politicos também precisam decidir se deixam cargos para consolidar projetos eleitorais. A partir de agora, cada gesto carrega peso institucional e eleitoral.
O que se vê é uma política marcada por cálculos estratégicos e disputas antecipadas.

A máquina pública vira palco de despedidas coreografadas e movimentos cuidadosamente ensaiados. A diferença é que, desta vez, o relógio não permite improviso. Alagoas entra oficialmente em período de transição política. Em poucas semanas, as chapas majoritárias e proporcionais estarão praticamente desenhadas.

Até lá, discursos sobre gestão e compromisso público dividirão espaço com articulações silenciosas, alianças improváveis e decisões que podem redefinir o poder no Estado. A contagem regressiva começou e, na política, quem hesita costuma pagar o preço. E o eleitor, o que acha disso?

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