Beija-Flor e Viradouro empolgam público na segunda noite de desfiles do Rio
A segunda noite de apresentações do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (16), foi marcada por emoção, religiosidade e reverências a grandes nomes da cultura brasileira. Na passarela do samba da Marquês de Sapucaí, Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro despontaram como os principais destaques da noite, que também contou com desfiles da Mocidade Independente de Padre Miguel e da Unidos da Tijuca. Todas as agremiações cumpriram o tempo regulamentar de até 80 minutos.
Mocidade abre a noite com tributo a Rita Lee
Primeira a entrar na avenida, a Mocidade levou um enredo vibrante em homenagem à cantora Rita Lee. Com o tema “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, a escola celebrou o legado musical e a postura contestadora da artista.
O abre-alas trouxe um grande rosto da cantora envolto em cores psicodélicas, remetendo à estética hippie. Em respeito à defesa da causa animal, bandeira levantada por Rita em vida, a escola optou por não utilizar penas naturais nas fantasias. Um dos carros alegóricos destacou o amor da artista pelos animais, enquanto o último setor reviveu o sucesso “Lança Perfume”, com a presença do músico Roberto de Carvalho, viúvo da cantora.

Beija-Flor transforma Sapucaí em ritual afro-brasileiro
Atual campeã, a Beija-Flor emocionou o público ao apresentar o enredo “Bembé”, inspirado no tradicional Bembé do Mercado, manifestação religiosa realizada há mais de um século na Bahia.
A comissão de frente encenou uma procissão de pescadores carregando um barco que se erguia verticalmente, revelando a Mãe da Água. O abre-alas destacou rituais de purificação, com alegorias em tons de azul e dourado remetendo a divindades das religiões de matriz africana. O desfile transformou a avenida em um grande ritual simbólico, exaltando ancestralidade e resistência cultural.
Viradouro reverencia Mestre Ciça
Já na madrugada, a Viradouro levou à avenida o enredo “Pra Cima, Ciça”, homenagem ao lendário mestre de bateria Mestre Ciça. A comissão de frente apresentou elementos clássicos dos ritmistas, como apitos e tambores, culminando na aparição do próprio homenageado.
Um dos momentos mais celebrados foi o retorno da atriz Juliana Paes ao posto de rainha de bateria, após 18 anos. A escola também recriou o desfile de 2007, quando a bateria desfilou sobre um carro alegórico, repetindo a imagem que marcou época.
Tijuca encerra com homenagem a Carolina Maria de Jesus
Fechando a noite, a Unidos da Tijuca apresentou um tributo à escritora Carolina Maria de Jesus. O enredo percorreu a trajetória da autora desde a infância em Minas Gerais até o sucesso com a obra Quarto de Despejo.
A comissão de frente recriou o cotidiano da escritora na favela, transformando o carrinho de coleta de papel em símbolo de resistência e criação literária. O samba-enredo buscou resgatar a memória da autora e questionar o apagamento histórico de sua contribuição à literatura brasileira.
Primeira noite e expectativa para o encerramento
Na abertura do Grupo Especial, brilharam a Imperatriz Leopoldinense e a Estação Primeira de Mangueira. Também passaram pela avenida a Portela e a Acadêmicos de Niterói.
O terceiro e último dia de desfiles promete manter o alto nível da disputa, com apresentações de Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
Com enredos que exaltam ancestralidade, arte e memória, o carnaval carioca reafirma sua força como palco de celebração cultural e disputa acirrada pelo título do Grupo Especial.
*Foto: REUTERS/Ricardo Moraes


