Ciúme é o motivo da maioria dos crimes praticados por pais contra os próprios filhos

O que motiva um pai matar o próprio filho? Esta semana, a população brasileira recebeu, estarrecida, as notícias de pais que mataram seus filhos. Estes são apenas alguns dos inúmeros casos que aconteceram no país, no últimos meses.

Relembre

Em Irará (BA), um homem de 39 anos matou a filha de 15 anos com golpes de machado e foi encontrado morto após o crime, na última quarta-feira  (11). Os corpos foram localizados depois da polícia ser acionada. O caso é investigado e causou forte comoção na cidade. A Polícia investiga o caso.

Em Goiás, o genro do prefeito de Itumbiara, o secretário de Governo da cidade, Thales Machado, foi encontrado morto após atirar contra os dois filhos, de 12 e 8 anos. As vítimas teriam sido atingidas na cabeça. O crime foi cometido em Goiás, na noite da última quarta-feira (11/2). Horas antes de atirar nos dois meninos, Thales postou um vídeo nas redes sociais dizendo: “Que Deus abençoe sempre meus filhos. Papai ama muito”.

Em janeiro deste ano, Rairo Andrey Borges Lemos, de 21 anos, foi denunciado pelo homicídio qualificado do próprio filho, uma criança de 2 anos, e por posse ilegal de munição de uso permitido pelo 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Sorriso, a 420 km de Cuiabá.

De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, o homem teria agido com motivação torpe ao planejar a morte do filho como forma de punir a ex-companheira. Conforme o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o acusado arquitetou o crime para atingir a mulher em seu ponto mais sensível.

Também em janeiro

Fernando Batista de Melo assassinou o próprio filho de apenas 4 anos, após uma discussão com a mãe da criança. O crime ocorreu dentro do banheiro do imóvel onde a família residia, após uma discussão do casal.

No ano passado, um major da Polícia Militar de Alagoas (PMAL), identificado como Pedro Silva, de 58 anos, matou seu próprio filho, de 10 anos, e o ex-cunhado (sargento da PM) em Maceió, Alagoas, após fugir da prisão e manter a família refém em junho. Eles moravam em Palmeira dos Índios

O major invadiu a casa de sua ex-mulher no bairro Prado, em Maceió, mantendo ela, os filhos e a ex-cunhada como reféns. Após cometer os crimes, ele se matou.

As tragédias deixam um rastro de dor irreparável e levantam um alerta urgente: é preciso identificar os sinais antes que conflitos familiares se transformem em crimes irreversíveis.

Especialista explica o que está por trás desses crimes

Para o psiquiatra Luís Alberto, episódios como esses revelam um padrão preocupante de violência motivada por sentimentos descontrolados. “Em muitos desses casos, o que observamos é o chamado ciúme patológico, associado a um forte sentimento de posse. O agressor não enxerga o filho como sujeito de direitos, mas como extensão de si mesmo ou como instrumento para ferir o outro parceiro”, explica o psiquiatra.

Segundo ele, fatores como transtornos mentais não tratados, impulsividade, histórico de violência doméstica e dificuldade em lidar com frustrações potencializam o risco. “É importante destacar que nem todo ciúme é doença. Mas quando ele se transforma em obsessão, desconfiança constante, necessidade de controle e incapacidade de aceitar o fim de um relacionamento, pode evoluir para comportamentos extremamente perigosos. A ausência de tratamento psiquiátrico e psicológico agrava ainda mais o quadro”, acrescenta.

O especialista reforça que sinais como ameaças contra os filhos, discursos de vingança contra a ex-companheira, isolamento social e mudanças bruscas de comportamento devem ser levados a sério.
Diante da repetição desses casos, especialistas defendem maior atenção à saúde mental, fortalecimento das redes de proteção à criança e políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica.

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