Carnaval sob vigilância: casos de intoxicação por metanol preocupam autoridades de saúde.

Às vésperas do Carnaval, o alerta está ligado em vários estados brasileiros diante do risco de consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica e potencialmente fatal. Dados do Ministério da Saúde apontam que, ao longo de 2025, o país registrou 76 casos confirmados de intoxicação por metanol associados à ingestão de bebidas alcoólicas. Desses, 25 evoluíram para óbito, além de oito mortes ainda sob investigação.

Somente neste ano, até o dia 3 de fevereiro, sete casos já foram confirmados e outros 13 seguem em apuração, o que acende um sinal de alerta para o período de maior consumo de bebidas, marcado pelas festas carnavalescas. São Paulo concentra maior número de ocorrências

O estado mais afetado foi São Paulo. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, foram confirmados 52 casos de intoxicação, com 12 mortes registradas em diferentes municípios, entre eles a capital, São Bernardo do Campo, Osasco, Jundiaí, Sorocaba e Mauá.

Outras quatro mortes seguem sob investigação nas cidades de Guariba, São José dos Campos e Cajamar. As autoridades sanitárias reforçam que o período festivo exige atenção redobrada tanto por parte dos comerciantes quanto dos consumidores.
Orientações para evitar riscos.

O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) recomenda que bares, distribuidores e demais estabelecimentos verifiquem cuidadosamente a procedência dos produtos comercializados. Para a população, a orientação é adquirir apenas bebidas de fabricantes legalizados, que apresentem rótulo adequado, lacre de segurança e selo fiscal.

Evitar produtos vendidos em condições suspeitas ou sem identificação clara é uma medida fundamental para prevenir intoxicações que podem colocar a vida em risco.

Sintomas podem ser confundidos com ressaca

O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho explica que o metanol, diferente do etanol presente nas bebidas regulares, produz substâncias extremamente tóxicas ao ser metabolizado pelo organismo.
“O metanol gera compostos que interferem na produção de energia das células e atingem principalmente o sistema nervoso, podendo causar acidose metabólica grave”, afirma o médico.

Entre os sintomas iniciais, que podem surgir até seis horas após a ingestão, estão dor abdominal intensa, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e queda da pressão arterial. Entre seis e 24 horas, podem aparecer sinais mais graves, como visão turva, sensibilidade à luz, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões e até coma.

Segundo o especialista, o perigo é maior porque os sinais nem sempre são imediatos e podem ser confundidos com uma ressaca mais intensa. “As alterações visuais são as mais características e não devem ser ignoradas, mesmo que pareçam leves”, alerta.

Em quadros graves, a intoxicação pode evoluir para cegueira irreversível, insuficiência renal, choque, complicações neurológicas e morte.

Atendimento imediato é essencial

Embora existam exames capazes de confirmar a presença de metanol no sangue ou na urina, nem sempre eles estão disponíveis de imediato. Por isso, as autoridades orientam que o tratamento seja iniciado com base na suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial.
Em caso de sintomas após o consumo de bebida alcoólica de origem duvidosa, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de emergência e, se possível, levar a embalagem ou amostra do produto ingerido.

Com a proximidade das festas, o alerta é claro: diversão e responsabilidade devem caminhar juntas para que o Carnaval seja marcado apenas pela alegria — e não por tragédias evitáveis.

Com Agência Brasil

Foto: Internet

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