JHC assume liderança da oposição e dá musculatura inédita ao PL para 2026 em Alagoas

A reunião comandada pelo prefeito de Maceió, JHC, na quarta-feira (28), foi apresentada oficialmente como um encontro para discutir chapas proporcionais. Na prática, porém, o movimento foi bem mais amplo e estratégico. O PL iniciou ali a construção concreta da sua chapa majoritária e começou a definir, com números e nomes, o grupo que disputará vagas de deputado federal nas eleições de 2026.
Durante o encontro, JHC deixou clara sua posição no tabuleiro político alagoano: mostrou força, revelou sua estratégia e afirmou, sem rodeios, que não integra o grupo político de ninguém além do seu próprio. Ao assumir esse protagonismo, chamou para si a responsabilidade de liderar a oposição no Estado.
“Teremos candidatos a governador e a senador, e eu serei o ponta de lança”, afirmou o prefeito.
Um dos anúncios mais relevantes foi a confirmação de que sua esposa, Marina Candia, será candidata a deputada federal, encerrando especulações sobre uma eventual candidatura ao Senado. JHC também confirmou a dobradinha com o deputado federal Alfredo Gaspar, que deve disputar o Senado pelo PL.
Com Marina definida como a principal “puxadora de votos”, o PL saiu do zero e passou a operar com uma chapa competitiva para a Câmara Federal. O partido já trabalha com a perspectiva real de garantir duas das nove vagas de Alagoas e disputar uma terceira, a depender da composição final da chapa — uma reviravolta significativa no cenário político, a nove meses da eleição.
A estratégia do grupo é clara: apostar em nomes testados nas urnas e com capital eleitoral comprovado. Participaram da reunião ou estão diretamente envolvidos na montagem da chapa lideranças como o empresário Gustavo Lima, que obteve 37,1 mil votos em 2022; o ex-deputado federal Nivaldo Albuquerque, com 67,6 mil votos; o ex-deputado estadual Severino Pessoa, que somou 32,5 mil votos; e Flávio Moreno, que alcançou 15,4 mil votos na última disputa federal.
Somados, apenas esses quatro nomes ultrapassam 150 mil votos com base no desempenho de 2022 — todos com viés de crescimento, já que estão em campo, ampliando bases e articulações. Outros dois nomes estão praticamente definidos: o vereador Eduardo Canuto, que teve mais de 10 mil votos para federal em 2022, e o presidente da Câmara Municipal de Maceió, Chico Filho. Segundo estimativas internas, os dois juntos podem agregar mais de 30 mil votos à chapa.
A isso se soma o principal ativo político do grupo: o próprio JHC. Em 2022, o prefeito foi decisivo para garantir mais de 92 mil votos ao irmão, Dr. JHC, que acabou não sendo eleito por falta de quociente partidário. Agora, o cenário é outro.
Nos bastidores, a expectativa é que Marina Candia tenha uma das maiores votações do Estado, com projeção entre 120 mil e 150 mil votos. Na matemática fria, o PL já trabalha com uma estimativa entre 300 mil e 320 mil votos, volume suficiente para garantir a primeira vaga direta — considerando um quociente eleitoral estimado entre 190 mil e 200 mil votos — e a segunda vaga por média.
Com JHC colocado como pré-candidato ao Governo do Estado, entra em cena outro fator decisivo: o voto de legenda. Segundo o secretário de Governo de Maceió, Júnior Leão, esse elemento pode ser determinante. “Pelo perfil do partido e da chapa majoritária, tudo indica que o PL terá a maior votação de legenda em Alagoas, o que ajudará e muito no resultado final”, avaliou.
Além disso, outros reforços estão sendo trabalhados por JHC. Entre os nomes com grande densidade eleitoral que podem ingressar no partido estão o deputado estadual Delegado Leonam Pinheiro e o deputado federal Delegado Fábio Costa.
Fábio Costa, que obteve 60,7 mil votos em 2022 pelo PP, pode herdar parte do eleitorado de Alfredo Gaspar. Nesse cenário, sua entrada seria bem aceita internamente, já que teria potencial para garantir a terceira vaga sem inviabilizar os candidatos intermediários que disputam espaço na chapa.
Com a chegada de nomes desse porte, o PL deixa de apenas brigar por duas cadeiras e passa, de forma concreta, a flertar com a terceira vaga na Câmara Federal — algo que até pouco tempo parecia fora de cogitação.
A chapa ainda não está fechada, mas já exibe musculatura de primeira divisão. E, em eleição proporcional, tamanho faz toda a diferença.


