Artistas cobram pagamentos atrasados e apontam Humanacena como responsável por dívidas da Paixão de Cristo 2025


Fazedores de cultura que atuaram na encenação da Paixão de Cristo 2025, realizada no município de Palmeira dos Índios, denunciam falta de pagamento após o espetáculo. Entre os nomes citados está o do autor e diretor do texto e da montagem, Diorges Albuquerque, do município de Garanhuns (PE), que, segundo integrantes da produção, também não teria recebido pelo trabalho prestado.

A redação do Estadão Alagoas procurou a secretária municipal de Cultura, Ana Cássia, que informou que o pagamento foi realizado no valor solicitado: R$ 150 mil, repassado à associação Humanacena.

De acordo com Enisson Ruan, o valor foi destinado à instituição, mas não teria sido repassado a alguns membros da peça, inclusive pessoas que aceitaram participar do projeto “por amor”, sob a promessa de que o pagamento seria efetuado posteriormente. Ainda segundo o relato, até janeiro de 2026 os repasses não foram feitos.

Humanacena afirma que houve acordo coletivo para pagamento após arrecadação

O Estadão Alagoas também conversou com Lidiane Ferro, representante da Humanacena, que alegou que a equipe teria feito um acordo coletivo para que os envolvidos recebessem somente após o espetáculo, caso houvesse arrecadação financeira.

Segundo Lidiane, toda a produção — incluindo direção e setor financeiro — teria concordado com esse formato para viabilizar o evento:

“Todo mundo concordou em receber depois do espetáculo quando tivesse uma arrecadação financeira para que o espetáculo pudesse acontecer.”

A representante explicou que o espetáculo teria ultrapassado os valores inicialmente previstos e que, ao final, não houve arrecadação que possibilitasse o pagamento posterior. Ela afirmou ainda que a conta da associação estaria sem recursos:

“Não houve arrecadação financeira, não houve… a conta da Humana tá zerada porque se tivesse tido arrecadação financeira nós já tínhamos feito esse repasse.”

“Não temos contrato físico”, diz representante

Lidiane Ferro disse que não existe contrato físico assinado, mas que haveria registros em falas e confirmações dos participantes sobre o acordo:

“Não temos o contrato físico pra poder comprovar, mas temos sim a fala de cada ator, de cada produtor, de todo mundo que fez parte da produção que concordou em receber posteriormente.”

Ela declarou ainda que já buscou orientação jurídica e que a associação pretende regularizar os pagamentos, mas dependeria de novos recursos, inclusive por meio de editais:

“A Humana tem a intenção de pagar, porém não tem recurso agora.”

Associação afirma que já procurou órgãos públicos

A representante também afirmou que procurou o Ministério Público e a Defensoria Pública, para justificar os gastos e explicar o motivo do orçamento ter sido ultrapassado:

“Eu já fui para o Ministério Público, para Defensoria, para justificar os gastos e mostrar o motivo de ter ultrapassado.”

Ela reforçou que entende que as cobranças públicas prejudicam a imagem da associação, sustentando que houve um acordo coletivo entre os envolvidos:

“Mesmo devendo, eles não podem denegrir a imagem da associação, já que foi um acordo coletivo.”

Por fim, Lidiane mencionou a possibilidade de pagamento por meio de recursos futuros, como a PNAB (Política Nacional Aldir Blanc):

“Com a PNAB passando, pagamento será efetuado.”

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