Protesto em Cuba termina com incêndio e ataque à sede do Partido Comunista

 

Manifestantes contrários ao governo cubano atacaram e incendiaram a sede municipal do Partido Comunista na cidade de Morón, na região central de Cuba, durante a madrugada deste sábado (14). O episódio ocorreu em meio a protestos motivados pela grave crise econômica e energética que atinge o país.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um grande incêndio e pessoas arremessando pedras contra as janelas do prédio enquanto gritam palavras de ordem como “liberdade”. As imagens foram geolocalizadas na cidade de Morón, localizada a cerca de 400 quilômetros a leste de Havana e próxima ao polo turístico de Cayo Coco.

Segundo relatos da imprensa estatal, o protesto começou de forma pacífica, mas acabou se transformando em atos de vandalismo contra a sede do Comitê Municipal do Partido Comunista. Parte do grupo invadiu o local, apedrejou a entrada e ateou fogo na rua utilizando móveis retirados da recepção do prédio.

Além do prédio do partido, manifestantes também atacaram outros estabelecimentos estatais da região, incluindo uma farmácia e um mercado administrado pelo governo. Autoridades locais informaram que pelo menos cinco pessoas foram detidas após os confrontos.

Foto: Reprodução

 

Os protestos ocorrem em um momento de forte insatisfação popular provocada por apagões frequentes, escassez de alimentos, combustível e medicamentos. A crise foi agravada pela interrupção no envio de petróleo ao país, o que tem provocado cortes de energia que chegam a durar muitas horas.

Nos últimos dias, estudantes também protestaram nas escadarias da universidade em Havana após a suspensão de aulas presenciais, medida atribuída à falta de combustível para transporte público. Apesar de a Constituição cubana de 2019 reconhecer o direito de manifestação, a ausência de uma lei específica sobre o tema mantém os protestos em uma zona jurídica incerta no país.

A tensão ocorre enquanto o governo do presidente Miguel Díaz‑Canel confirmou que iniciou conversas com os Estados Unidos para tentar aliviar a crise econômica e energética enfrentada pela ilha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *