Caso Master: Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno e da Pleno DTVM
O Banco Central do Brasil determinou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno DTVM, instituições que compõem o conglomerado prudencial Pleno. A decisão ocorre em meio aos desdobramentos do chamado caso Master, que investiga supostas fraudes no sistema financeiro.
Segundo o BC, a medida foi adotada após o comprometimento da situação econômico-financeira das empresas, com deterioração da liquidez, além de descumprimento de normas regulatórias e de determinações do órgão supervisor. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores das duas instituições ficam indisponíveis.
O conglomerado Pleno é classificado como de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial. De acordo com dados do próprio BC, o grupo representa 0,04% do total de ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Ligação com o Banco Master
O Banco Pleno, anteriormente chamado Voiter, pertence ao empresário Augusto Lima, conhecido como Guga. Ele foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, instituição que está sob investigação por supostas irregularidades financeiras.
O Voiter foi vendido ao Master em 2024. Posteriormente, Augusto Lima deixou a sociedade com Vorcaro e readquiriu o banco, operação autorizada pelo Banco Central em julho de 2025. A instituição foi então rebatizada como Banco Pleno.
Executivos ligados ao Master foram alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura a emissão e negociação de títulos de crédito supostamente falsos envolvendo instituições do SFN.
Garantia aos credores
Em nota, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que o Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis à garantia, somando aproximadamente R$ 4,9 bilhões.
O FGC afirmou que fará o ressarcimento conforme as regras do regulamento vigente, com base nos dados que serão apresentados pelo liquidante nomeado pelo Banco Central. O início dos pagamentos dependerá da consolidação e validação das informações cadastrais dos credores.
Possíveis sanções
O Banco Central ressaltou que continuará apurando responsabilidades dentro de suas competências legais. As investigações podem resultar na aplicação de sanções administrativas e no envio de comunicações a outras autoridades competentes, conforme a legislação.
A liquidação extrajudicial é um instrumento previsto para situações em que a instituição não apresenta condições de funcionamento regular, permitindo a condução ordenada do encerramento das atividades e a proteção dos interesses de depositantes e do sistema financeiro.
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