Racha entre Medeiros e Paulão coloca em risco sobrevivência eleitoral do PT em Alagoas
O Partido dos Trabalhadores em Alagoas atravessa uma das mais delicadas crises internas dos últimos anos, marcada pelo embate entre suas duas principais lideranças: o presidente estadual da sigla, Ronaldo Medeiros, e o deputado federal Paulão. O impasse ocorre justamente no momento em que o PT tenta estruturar uma chapa competitiva para a Câmara Federal e manter a representação do partido em Brasília.
No centro do conflito está a divergência sobre a demora na formação da chapa proporcional. Enquanto Paulão pressiona por definições rápidas, diante do avanço do calendário eleitoral, Medeiros adota uma postura mais cautelosa — o que, nos bastidores, tem sido apontado como fator decisivo para a perda de quadros que poderiam fortalecer a nominata petista e que acabaram migrando para outras legendas.
A crise ganhou contornos públicos na semana passada, quando um sindicalista ligado ao deputado Paulão fez duras críticas à condução do partido, atribuindo diretamente a Ronaldo Medeiros a responsabilidade pela falta de articulação e pelo risco concreto de o PT perder sua vaga na Câmara Federal.
A reação não demorou. Em conversas reservadas, Medeiros sinalizou que não pretende deixar as acusações sem resposta e afirmou a interlocutores que irá se manifestar “no tempo certo” sobre as declarações do militante.
Enquanto o embate interno se intensifica, Paulão corre contra o relógio para garantir um grupo mínimo que viabilize sua candidatura à reeleição em outubro. O cenário expõe não apenas a fragilidade da unidade partidária, mas também o desafio do PT alagoano em se reorganizar eleitoralmente em meio a disputas internas que ameaçam seu espaço político no estado.



