Revolta popular quase termina em linchamento após denúncia de maus-tratos contra criança autista em Arapiraca

Momentos de forte tensão foram registrados na noite desta sexta-feira (30), no bairro Brasília, em Arapiraca, após a repercussão de uma denúncia de maus-tratos contra uma criança autista de 5 anos. Revoltados, moradores cercaram a residência onde estava a babá suspeita e tentaram invadir o imóvel com a intenção de agredi-la.
De acordo com a Polícia Militar de Alagoas (PMAL), uma guarnição do 3º Batalhão foi acionada pelo Copom após denúncias de que uma mulher estaria prestes a ser linchada por populares. Ao chegar ao local, os policiais encontraram dezenas de pessoas exaltadas em frente à casa de familiares da suspeita, acusada de ter cometido agressões contra a criança em dezembro de 2025.
Com medo de sofrer agressões, a mulher permaneceu dentro da residência enquanto o grupo, do lado de fora, gritava ameaças e xingamentos. Segundo a PM, o clima era de extrema hostilidade e havia risco iminente de violência física, o que exigiu intervenção imediata das equipes policiais.
Ainda conforme a corporação, os manifestantes não possuem vínculo direto com a família da criança, mas agiram movidos pela indignação diante das informações divulgadas sobre o caso. Para conter os ânimos e evitar agressões, a Polícia Militar contou com o apoio de outra guarnição e conduziu as partes envolvidas à Central de Polícia.
Não foi registrado Termo Circunstanciado por ameaça, uma vez que a suspeita afirmou não conseguir identificar individualmente os autores das ameaças, relatando apenas ter ouvido gritos e ofensas. A ocorrência foi classificada como “manifestação pública”.
Investigação
A denúncia de maus-tratos contra a criança autista está sendo apurada pela Delegacia Especializada da Criança e do Adolescente de Arapiraca. Um boletim de ocorrência foi registrado e um inquérito policial segue em andamento. Até o momento, não há mandado de prisão expedido contra a babá.
O caso também é acompanhado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) e pelo Conselho Tutelar. As autoridades reforçam que a apuração deve seguir o devido processo legal e alertam que atos de “justiça com as próprias mãos” podem resultar em responsabilização criminal.


