Caso de estupro no Agreste gera confronto público entre deputado Antônio Albuquerque e advogada Júlia Nunes
O caso envolvendo a fuga de Victor Bruno da Silva Santos, de 18 anos, acusado de estuprar, espancar e tentar matar a jovem Maria Daniela, desencadeou um embate público entre o deputado estadual Antônio Albuquerque e a advogada Júlia Nunes. O crime ocorreu em dezembro de 2024, no município de Coité do Noia, no Agreste alagoano.
Durante sessão na Assembleia Legislativa, realizada nesta terça-feira (28), o parlamentar comentou as declarações de que um político estaria supostamente dando proteção ao suspeito, que é considerado foragido desde março de 2025. A controvérsia teve início após falas da advogada, feitas em janeiro deste ano, nas quais ela afirmou que o acusado estaria escondido em propriedades ligadas a um agente político.
De acordo com Júlia Nunes, a informação foi obtida por meio de uma “fonte segura” e repassada às autoridades. O caso segue em tramitação na Justiça, que já decretou a prisão preventiva do suspeito, enquanto forças de segurança continuam as buscas.
Em seu discurso, Antônio Albuquerque criticou as declarações e demonstrou incômodo com o que classificou como insinuações feitas sem apresentação de nomes. Ele também questionou o uso das redes sociais no debate. “Isso tem me incomodado profundamente. Sou pai, avô e não admito que uma advogada utilize redes sociais para fazer insinuações contra esta Casa”, afirmou.
O deputado ainda disse que a ausência de identificação direta nas acusações pode gerar suspeitas generalizadas entre os parlamentares. Segundo ele, o episódio pode configurar dano à honra de terceiros.
Após a repercussão, Júlia Nunes se manifestou nas redes sociais e rebateu as declarações, classificando-as como ataques pessoais. Em sua resposta, defendeu sua trajetória profissional e destacou o impacto das falas sobre mulheres e o sistema de Justiça.
“Deputado, eu respeito o cargo que você ocupa, mas não confunda autoridade com arrogância. Quando o senhor utiliza termos ofensivos, não atinge apenas a mim, mas também outras advogadas e mulheres que represento”, declarou.
A advogada também afirmou que não se deixará intimidar e que seguirá atuando em defesa de vítimas de violência. “Esse tipo de ataque não me diminui. Ele apenas revela práticas antigas de tentar silenciar mulheres. Esse tempo já mudou”, disse.
Por fim, Júlia reforçou que sua atuação está fundamentada na legalidade e nos elementos presentes no processo. “Meu trabalho é baseado na lei e nos fatos. Não depende de aprovação política. Tempo de mandato não é sinônimo de razão, nem justificativa para desrespeito”, concluiu.

