Homem desenterra corpo da irmã e leva restos mortais a banco na Índia após impasse para sacar dinheiro
Um episódio que causou forte repercussão internacional e viralizou nas redes sociais no fim de abril, expôs uma combinação de desinformação, burocracia e vulnerabilidade social no interior da Índia.
As imagens mostram um homem caminhando por uma estrada de terra, carregando nos ombros os restos mortais da própria irmã, envoltos em tecido, enquanto é observado por moradores.
O caso é verídico. O protagonista é Jeetu Munda, de 50 anos, morador de uma comunidade rural no distrito de Keonjhar, no estado de Odisha. Ele desenterrou o corpo da irmã, Kalara Munda, de 56 anos, que havia falecido cerca de dois meses antes, após enfrentar dificuldades para acessar um valor deixado por ela em uma conta bancária.

Segundo a imprensa local, o dinheiro, cerca de 20 mil rúpias indianas (pouco mais de mil reais), era fruto da venda de gado. Sem herdeiros legais formalmente registrados, Jeetu tentou diversas vezes realizar o saque, mas não conseguiu por falta de documentação exigida, como a certidão de óbito.
De acordo com relatos do próprio homem, funcionários da agência não teriam compreendido sua situação. Sem entender o processo legal necessário, ele decidiu exumar os restos mortais da irmã e levá-los até o banco como forma de provar que ela estava, de fato, morta.
O episódio ocorreu em uma agência do Odisha Grameen Bank, instituição rural ligada ao Indian Overseas Bank. Após a repercussão, o banco negou ter solicitado a presença física da cliente falecida e afirmou que seguiu as normas legais, que exigem documentação formal para liberação de valores em casos de morte.
Em nota, a instituição declarou que Jeetu compareceu inicialmente sem os documentos necessários e, posteriormente, retornou levando os restos mortais, em um ato descrito como resultado de incompreensão das exigências legais.
A polícia local também apontou falha de comunicação como fator determinante. Segundo o inspetor Kiran Prasad Sahu, responsável pela delegacia da região, o homem, descrito como analfabeto e integrante de comunidade tribal, não conseguiu entender os procedimentos burocráticos, enquanto os funcionários não conseguiram orientá-lo adequadamente.
O caso evidencia as dificuldades enfrentadas por populações de baixa renda em regiões rurais da Índia, onde o acesso a documentação básica e informação ainda é limitado. Situações como essa podem atrasar processos de herança e benefícios, agravando a vulnerabilidade social.
Após a repercussão, autoridades locais prometeram auxiliar na regularização dos documentos para que o valor seja liberado. Os restos mortais de Kalara Munda foram novamente sepultados sob supervisão policial.
