Audiência adiada reacende dor de mãe e reforça luta por justiça no caso Gabriel Lincoln
O adiamento da audiência que trataria do caso do adolescente Gabriel Lincoln, morto por um disparo de arma de fogo durante uma abordagem policial, voltou a abrir uma ferida que nunca cicatrizou para a mãe do jovem. Prevista inicialmente para o dia 22 deste mês, a sessão foi remarcada para 15 de maio, prolongando a espera por respostas e justiça.
Para Fernanda Ferreira, mãe de Gabriel, a mudança no calendário não representa apenas uma questão burocrática, é a repetição de um sofrimento que ela enfrenta desde o dia em que perdeu o filho. Em um desabafo comovente, ela revelou o impacto emocional causado pela decisão.
“Hoje eu não estou só triste… eu estou ferida de novo. Cancelar essa audiência não é um simples adiamento. Para quem olha de fora, pode até parecer pouca coisa. Mas pra mim, que sou mãe, isso é reviver tudo outra vez. É como se arrancassem a ferida que nunca cicatrizou”, declarou.

Fernanda contou que havia se preparado emocionalmente para enfrentar o momento, reunindo forças para encarar mais uma etapa do processo. No entanto, o adiamento trouxe frustração e revolta diante da demora na condução do caso.
“Eu me preparei. Eu juntei forças que nem sabia que ainda tinha. Eu respirei fundo para enfrentar esse momento… e simplesmente cancelam, como se a minha dor pudesse esperar. Mas a dor não espera. Ela fica. Ela aumenta. Ela sufoca”, desabafou.
A mãe também questiona a forma como o caso vem sendo tratado, temendo que a história do filho se perca em meio a processos e prazos.
“Eu fico me perguntando: até quando? Até quando vão tratar a história do meu filho como mais um papel, mais um número, mais um processo? Gabriel Lincoln não é um processo. Ele é meu filho. Ele tem nome, tem história, tem amor”, afirmou.
Apesar da dor e do cansaço, Fernanda reforça que não pretende desistir da luta por justiça.
“Cada atraso machuca. Cada adiamento pesa. Cada silêncio dói. Mas mesmo assim eu não vou desistir. Porque por ele, eu vou até o fim”, finalizou.
