Saída de Fernando Toledo do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas abre disputa política por vaga e pode ter sucessão familiar inédita
A saída do conselheiro Fernando Toledo do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas marca o fim de um ciclo de 12 anos e abre uma nova disputa de bastidores no cenário político alagoano. Em sua última sessão plenária, realizada nesta semana, ele formalizou o pedido de aposentadoria, que ainda depende de trâmites administrativos e da homologação do governador Paulo Dantas.
Com a vacância, o atual vice-presidente da Corte, Otávio Lessa, assume interinamente a presidência do tribunal. Ele terá um prazo de até dois meses para convocar uma nova eleição interna, que definirá quem ficará à frente da instituição até o fim do atual biênio administrativo.
A aposentadoria também escancara uma das vagas mais estratégicas do sistema de controle externo do estado. Pela Constituição, a indicação do novo conselheiro caberá à Assembleia Legislativa de Alagoas, já que Fernando Toledo foi escolhido originalmente pelo Legislativo.
O processo de escolha inclui a publicação de edital para inscrição dos interessados. Entre os critérios exigidos estão idade entre 35 e 70 anos, notório saber nas áreas jurídica, contábil, econômica, financeira ou de administração pública, além de reputação ilibada e pelo menos dez anos de experiência profissional. Após análise técnica e sabatina, o nome indicado passa por votação em plenário e, se aprovado, segue para nomeação oficial pelo chefe do Executivo estadual.
Em tom de despedida, Toledo destacou avanços de sua gestão, como a modernização tecnológica do tribunal, a realização de concurso público e o fortalecimento do quadro de servidores. Segundo ele, o período foi marcado pelo esforço de tornar as auditorias mais robustas e as decisões mais ágeis.
Durante a sessão, o procurador do Ministério Público de Contas, Ricardo Schneider Rodrigues, ressaltou o legado do conselheiro, apontando avanços institucionais e a ampliação do número de servidores efetivos como marcas da gestão.
Nos bastidores, a sucessão já movimenta o meio político e jurídico em Alagoas. Um dos nomes cogitados é o do deputado estadual Bruno Toledo, filho de Fernando Toledo. A eventual indicação ainda não foi oficializada, mas, se confirmada, poderá resultar em um fato inédito no estado: a ocupação consecutiva da mesma cadeira no tribunal por pai e filho.
