Voto secreto, recado explícito: bastidores da Câmara pegam fogo após rejeição das contas de Rui Palmeira
A votação que, em tese, rejeitou as contas do ex-prefeito Rui Palmeira movimentou — e muito — os bastidores da política em Maceió. O placar foi apertado: 13 votos pela rejeição e 10 a favor, em sessão realizada no último dia 29 de janeiro.
Mas o que realmente incendiou o cenário foi o detalhe que ninguém consegue ignorar: o voto foi secreto. E isso abriu espaço para especulações, desconfianças e, claro, articulações silenciosas.
Nos corredores da Câmara Municipal de Maceió — a conhecida Casa de Mário Guimarães — um nome começou a circular com força como um dos que teriam votado a favor do ex-prefeito: Marcelo Palmeira (PL), que foi vice de Rui durante os oito anos de gestão.
A informação foi revelada pelo jornalista Ricardo Mota e caiu como uma bomba no meio político.
Recado direto ao prefeito?
Nos bastidores, não é segredo que Marcelo não guarda boas memórias do prefeito JHC. A relação azedou de vez quando JHC articulou o nome de Chico Filho para a presidência da Câmara, movimento que acabou soterrando a candidatura de Marcelo entre o fim de 2024 e o início de 2025.
O ambiente ficou tenso. O clima, pesado.
Mas interlocutores garantem que o voto favorável a Rui não teve sabor de vingança. Teria sido, segundo aliados, um gesto de lealdade e respeito à boa convivência construída ao longo dos dois mandatos.
Discreto, silencioso e estratégico, o movimento — se confirmado — manda um recado claro ao Palácio: a base não é blindada.
Base aliada não é cheque em branco
A votação mostrou que, mesmo com articulação forte, nem todos seguem alinhamento automático. Em temas sensíveis, a fidelidade pode ser relativa.
O alerta está dado: nem toda bancada entrega 100% do que o Executivo deseja.
E quando o voto é secreto, o fogo não aparece no plenário — mas queima forte nos bastidores.




