Advogado aciona Justiça após promoção de PM acusado de matar adolescente em Palmeira dos Índios


Após divulgação da TV Estadão Alagoas,  promoção do policial militar, Alex Melo, que responde a uma ação penal por homicídio qualificado provocou forte repercussão em Alagoas e reacendeu questionamentos sobre moralidade administrativa, transparência e responsabilidade institucional no âmbito da segurança pública.

De acordo com o advogado Gilmar Menino, representante da família de Gabriel Lincoln e assistente de acusação no processo, foi protocolada uma petição nos autos da ação penal com o objetivo de comunicar o magistrado responsável sobre a promoção do militar. Além disso, a defesa solicitou que o Ministério Público busque esclarecimentos junto ao comando-geral da Polícia Militar de Alagoas.

Em entrevista ao Estadão Alagoas, Gilmar Menino classificou a decisão da corporação como “totalmente desarrazoada”. “Promover um agente público que ainda responde a uma ação penal por homicídio qualificado, praticado no exercício de sua função, é um ato que desafia a lógica da justiça e afronta frontalmente a confiança da sociedade nas instituições públicas”, afirmou.

A promoção de um policial acusado de crime doloso contra a vida intensificou o debate sobre os mecanismos de controle interno da Polícia Militar, bem como sobre a credibilidade das instituições de segurança. Para especialistas, familiares e entidades da sociedade civil, a medida transmite uma mensagem de impunidade e enfraquece a confiança da população nas forças policiais.

Segundo o advogado, a iniciativa de acionar o Judiciário e provocar o Ministério Público reforça a exigência de responsabilidade institucional e reafirma a luta da família por justiça. O episódio gerou indignação em todo o estado, reacendendo discussões sobre o uso excessivo da força policial, a proteção de menores e o papel das instituições públicas na preservação da legalidade.

Para a família de Gabriel Lincoln, a promoção do militar representa um insulto à memória do adolescente e aprofunda a dor de um processo ainda em curso.

Três policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) pela morte de Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, ocorrida no dia 3 de maio de 2025, em Palmeira dos Índios, no Agreste alagoano. A vítima conduzia uma motocicleta e fugia de abordagem policial quando foi atingida por disparo.

De acordo com o MPAL, os militares foram responsabilizados por homicídio qualificado, na modalidade dolo eventual, e fraude processual. O entendimento do órgão foi baseado em laudos periciais da Polícia Científica e depoimentos de testemunhas. Os exames mostraram que Gabriel Lincoln jamais teria condições de manusear uma arma, desmentindo a versão de que teria disparado contra os policiais.

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