114 anos do Quebra de Xangô: TJ-AL entrega Nota Técnica que propõe mudança de nomes de logradouros em Maceió
O desembargador Tutmés Airan, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), é uma das vozes mais reconhecidas no debate público sobre direitos humanos, equidade racial e justiça histórica no estado. Intelectual, jurista e escritor, Tutmés tem atuação marcada pela defesa da democracia, do respeito à diversidade cultural e religiosa e do enfrentamento às heranças autoritárias ainda presentes nas instituições e nos símbolos públicos.
No contexto dos 114 anos do Quebra de Xangô, episódio de violência extrema contra religiões de matriz africana em Maceió, o pensamento defendido por Tutmés Airan dialoga diretamente com a necessidade de revisão crítica da memória oficial. Para o magistrado, não é possível construir uma sociedade verdadeiramente democrática sem reconhecer as violências do passado e sem questionar homenagens públicas que exaltam personagens ligados à repressão, ao racismo e à intolerância religiosa.
A permanência de nomes como o de Fernandes Lima em importantes vias da capital alagoana é vista por juristas e movimentos sociais como um símbolo de continuidade da exclusão histórica vivida por povos de terreiro. Nesse sentido, iniciativas institucionais — como a elaboração de notas técnicas e o debate sobre a mudança de denominação de logradouros — representam passos concretos rumo à reparação simbólica e ao reconhecimento da dignidade das vítimas.
A trajetória de Tutmés Airan reforça a compreensão de que justiça não se limita aos tribunais, mas também se manifesta na forma como a sociedade escolhe lembrar sua história. Rever homenagens, dar visibilidade às vítimas e afirmar o direito à memória são ações que contribuem para que episódios como o Quebra de Xangô jamais sejam esquecidos — nem repetidos.



