A rota dos clãs: JHC inicia ofensiva pelo Sertão, mas encontra resistência dos “donos do poder”
Por Estadão Alagoas
A corrida rumo ao Palácio República dos Palmares já começou, e para João Henrique Caldas (JHC), o asfalto de Maceió deu lugar à poeira das estradas do interior. Após transferir a prefeitura da capital para Rodrigo Cunha, JHC mergulhou em uma ofensiva diplomática com um objetivo claro, romper a bolha metropolitana e conquistar o apoio das tradicionais famílias que comandam o tabuleiro político de Alagoas.
No entanto, o recente episódio em Delmiro Gouveia serviu como um “banho de realidade” sobre as dificuldades de se negociar com os donos do poder local.
O alvo da vez foi Luiz Carlos Costa, o Lula Cabeleira. Figura central no Sertão, Cabeleira é o patriarca de um clã que administra o município há décadas, atualmente sob o comando de sua filha, Ziane Costa. Ciente de que o interior é o fiel da balança em uma eleição estadual, JHC não poupou adjetivos após o encontro:
“Hoje tive a honra de estar com um gigante do Sertão… Grande amigo, homem de visão e coragem. Contar com sua confiança é motivo de alegria”, declarou o pré-candidato em suas redes sociais, sinalizando uma aliança consolidada.
A euforia de JHC, contudo, durou menos de 24 horas. Em um movimento que demonstra a frieza do jogo político sertanejo, Lula Cabeleira desmentiu publicamente o acordo. Sem rodeios, o “cacique” reafirmou seu voto em Renan Filho para o governo, deixando o ex-prefeito da capital em uma situação de evidente exposição.
Para analistas, a postura de Cabeleira é o “modelo e síntese” de como operam os clãs alagoanos, eles aceitam a corte, mas raramente entregam o apoio sem garantias sólidas ou fora de suas alianças históricas.
O episódio com JHC apenas ilustra uma regra não escrita da política estadual. Para chegar ao governo, o candidato precisa “beijar o anel” das famílias que dominam os redutos eleitorais. Nomes como Beltrão, Bulhões, Toledo, Malta, Albuquerque, Cavalcanti, Farias, Moreira e Moura formam a rede de influência que JHC tenta, agora, costurar.
Os desafios de JHC no interior:
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Quebra de resistência: Superar a imagem de político prioritariamente “paulistano” ou focado apenas na capital.
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Vassalagem Eleitoral: Equilibrar o discurso de renovação com a necessidade pragmática de se aliar a sobrenomes centenários.
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Fidelidade Partidária: Enfrentar a estrutura já montada pelos grupos adversários, como o MDB dos Calheiros.
A investida afoita sobre Lula Cabeleira mostra que, em Alagoas, a “altivez” de um candidato da capital muitas vezes esbarra na tradição bruta do interior. Sem o aval dessas famílias, o caminho para o Palácio torna-se uma missão quase impossível. O jogo segue, e os próximos capítulos dirão se JHC aprendeu a lição ou se continuará a sofrer as “rasteiras” da política de raiz.

