Licença menstrual avança no mundo e entra na reta final de debate no Brasil
A discussão sobre a licença menstrual tem ganhado espaço nas pautas de saúde pública e direitos trabalhistas, impulsionada por iniciativas internacionais e pelo avanço de projetos no Brasil. A proposta busca reconhecer os impactos físicos e emocionais da menstruação na rotina de trabalho, especialmente em casos de sintomas intensos que comprometem o desempenho profissional.
Um marco recente ocorreu na Espanha, que aprovou uma legislação pioneira na Europa garantindo o direito ao afastamento para pessoas com sintomas menstruais incapacitantes. A medida é tratada como uma licença médica temporária, com custos cobertos pelo sistema público de saúde, reduzindo resistências por parte de empregadores.

O que prevê a licença menstrual
A licença menstrual consiste no afastamento temporário do trabalho para pessoas que enfrentam condições severas durante o período menstrual, como dores intensas, fadiga extrema e sangramentos excessivos. Em geral, o benefício exige comprovação médica, especialmente em casos associados a doenças como endometriose, miomas ou adenomiose.
A proposta não contempla desconfortos leves, mas sim situações que realmente impedem a realização das atividades laborais, tratando a questão como um problema de saúde e não como privilégio.
Situação atual no Brasil
No Brasil, o tema ganhou força com o Projeto de Lei nº 1249/2022, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue em análise no Senado Federal. O texto prevê até dois dias consecutivos de afastamento por mês, sem prejuízo salarial, desde que haja laudo médico comprovando a condição.
Caso seja aprovado definitivamente e sancionado, o benefício poderá atender trabalhadoras regidas pela CLT, empregadas domésticas e estagiárias, ampliando o debate sobre saúde menstrual no ambiente de trabalho.
Impactos e desafios
Especialistas apontam que a implementação da licença menstrual pode trazer benefícios importantes, como a redução da automedicação, prevenção de doenças e melhoria na produtividade. Além disso, a medida contribui para combater o estigma ainda associado ao tema.
Por outro lado, desafios permanecem, como a necessidade de critérios médicos claros, garantia de sigilo das informações e adaptação das empresas à nova realidade. Também há preocupação com possíveis discriminações no mercado de trabalho, o que reforça a importância de políticas bem estruturadas.
Um debate em evolução
A licença menstrual reflete uma mudança de perspectiva sobre saúde e trabalho, trazendo à tona a necessidade de políticas mais inclusivas e sensíveis às realidades biológicas. No Brasil, o avanço da proposta no Congresso indica que o tema está cada vez mais presente nas discussões públicas, com potencial de impactar diretamente a rotina de milhões de pessoas.
