Ave resgatada por moradores acende alerta para risco de gripe aviária em Alagoas
Um episódio recente envolvendo o resgate indevido de uma ave marinha em uma praia de Alagoas reacendeu o alerta das autoridades ambientais sobre os riscos da gripe aviária no estado. O caso veio à tona um dia após uma reunião entre órgãos públicos discutir estratégias de enfrentamento ao vírus H5N1, considerado altamente contagioso entre aves e com potencial de risco à saúde humana.
De acordo com o Instituto Biota de Conservação, moradores recolheram uma ave debilitada, identificada como pardela-de-bico-amarelo (Calonectris borealis), sob a justificativa de que o animal estava exposto ao sol. No entanto, especialistas reforçam que esse tipo de atitude, embora bem-intencionada, pode representar perigo.

O biólogo João Antônio explicou que essas aves são migratórias, vindas do hemisfério norte, e muitas vezes chegam às praias brasileiras já debilitadas ou doentes. “Existe a possibilidade de estarem contaminadas com a influenza aviária, um vírus altamente transmissível. O contato direto pode colocar em risco não só outras aves, mas também seres humanos”, alertou.
Segundo o instituto, a recomendação é clara: não tocar, não recolher e jamais levar para casa qualquer animal silvestre encontrado, seja vivo ou morto. A orientação é acionar imediatamente os órgãos responsáveis, como o próprio Biota, que faz a ponte com demais instituições ambientais e de saúde.
A população pode informar ocorrências por meio dos números disponibilizados pelo Instituto Biota, enviando fotos, vídeos e localização do animal para facilitar o atendimento especializado.
Plano estadual ainda em elaboração
A preocupação com o avanço da gripe aviária motivou uma audiência realizada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), que reuniu órgãos como IMA, Adeal, Sesau, BPA, UVZ, Lacen e o próprio Instituto Biota. O objetivo foi iniciar a construção de um Plano de Ação Estadual, ainda inexistente, para conter possíveis surtos da doença.
O debate ganhou urgência após o aumento de registros de aves silvestres encontradas doentes ou mortas no litoral alagoano, especialmente espécies migratórias, que podem atuar como vetores do vírus.
Emergência segue em vigor no país
Em âmbito nacional, o Ministério da Agricultura e Pecuária prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária, medida que está em vigor desde maio de 2023, quando foram confirmados os primeiros casos de influenza aviária H5N1 de alta patogenicidade em aves silvestres no Brasil.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da conscientização da população. Evitar o contato com animais suspeitos e acionar os órgãos competentes são atitudes essenciais para prevenir a disseminação da doença e proteger a saúde pública.
Quem encontrar algum animal encalhado, vivo ou morto, deve acionar o Instituto Biota, pelos s telefones: (WhatsApp): (82) 99115-2944 / 98815-0444 / 99115-5516. Para estes contatos podem ser enviados vídeos, fotos e a localização.
Com informações do TNH1
