JHC no Divã de Lula: O pacto que deixou o vice no vácuo e a primeira-dama em casa


Dizem que na política, os inimigos de hoje são os melhores amigos de amanhã — desde que o preço seja justo. Nesta sexta-feira (23), o cenário político alagoano assistiu a uma cena que muitos julgavam impossível: o prefeito JHC (PL), outrora crítico ferrenho da esquerda, desmanchando-se em gentilezas e acenos ao governo Lula.

O famigerado “Acordo de Brasília” — que envolve a indicação de Marluce Caldas ao STJ — deixou de ser uma fofoca de corredor para ganhar contornos de realidade. Onde havia gelo, agora há fogo, e JHC parece estar adorando o calor da Esplanada.

Os Sinais do “Novo Amor”

Não foi apenas um discurso; foi uma performance. JHC trocou o tom beligerante por um “tom ameno”, quase carinhoso, selando sua fala com a frase de efeito: “É um pacto por Alagoas”. Traduzindo do “politiquês”: é a bandeira branca sendo hasteada em troca de espaço e influência.

O Mistério das Cadeiras Vazias

Nada diz mais sobre um acordo do que quem não aparece na foto. As ausências notáveis da sexta-feira entregaram o jogo:

• Rodrigo Cunha: O vice-prefeito, que abandonou o Senado em 2024 com a promessa de herdar a prefeitura, agora vive o pesadelo de ver JHC fincar o pé na cadeira. Se o acordo com Lula exigir que JHC fique no cargo para não dar palanque à oposição, Cunha vira o “noivo abandonado no altar”.

• Marina Cândia: A primeira-dama, apontada como a grande aposta do grupo para o Senado, também sumiu. O motivo? Se JHC decidir ele mesmo buscar uma vaga no Legislativo Federal que não atropele os planos lulistas, a candidatura de Marina vira fumaça.

Mudança de Ventos

Para quem ignorou Lula em todas as visitas anteriores ao estado e evitou até o contato visual em palanques passados, a metamorfose de JHC é digna de Oscar. O prefeito que subiu no palanque de Bolsonaro em 2022 agora parece ensaiar os primeiros passos de um “Lulismo de ocasião”.

No tabuleiro de Alagoas, as peças se moveram bruscamente. Resta saber se o eleitor de JHC vai aceitar esse novo figurino ou se o “Pacto por Alagoas” será lido como uma simples traição de princípios em nome do poder.O

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *