Desembargador do TJAL propõe mudança do nome da Avenida Fernandes Lima
O desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), Tutmés Airan, propôs a mudança do nome da Avenida Fernandes Lima, uma das principais vias de Maceió, ao apontar o histórico de intolerância religiosa e violência institucional associado ao ex-governador que dá nome à avenida.
Diante disso, o desembargador anunciou por meio das redes sociais que, nesta segunda-feira (2), a Coordenadoria de Direitos Humanos do TJAL se reunirá com o defensor público-geral do Estado, Fabrício Leão Souto, para a entrega de uma Nota Técnica que analisa a pertinência de alterar a denominação da Avenida Fernandes Lima e de outros logradouros públicos que prestam homenagem ao ex-governador.
A audiência contará ainda com a participação do juiz Vinícius Augusto de Souza Araújo, coordenador da Comissão de Equidade Racial do TJAL e integrante da Coordenadoria de Direitos Humanos, além do coordenador de Direitos Humanos do Tribunal, Pedro Montenegro.
A manifestação foi feita em alusão aos 114 anos do Quebra de Xangô, episódio ocorrido na virada dos dias 1º e 2 de fevereiro de 1912, quando mais de 150 terreiros de religiões de matriz africana foram destruídos na capital alagoana. “Um grande ataque paramilitar de intolerância religiosa foi orquestrado, dizimando mais de 150 terreiros em Maceió”, escreveu o magistrado.
Segundo Tutmés Airan, o então governador Fernandes Lima foi um dos principais responsáveis pela repressão. Para o desembargador, é incompatível que uma figura associada a esse episódio histórico continue sendo homenageada em um dos principais corredores urbanos da cidade.
“É este mesmo Fernandes Lima, com histórico marcado por intolerância religiosa, violência e oportunismo político, o homenageado com o nome de uma das maiores avenidas da capital alagoana”, afirmou.
Ao concluir a publicação, Tutmés Airan destacou a urgência de medidas de reparação histórica. “A Justiça histórica vem, na maioria das vezes, bem tarde. Ainda pior do que tardar, é quando ela nunca chega ou quando não se reconhece a urgência de realizá-la o quanto antes”, declarou.

