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A ‘culpa’ é dos outros? Bullying e suicídio em tela

Análise comportamental sobre 13 Reasons why



Estatísticas internacionais revelam números assustadores envolvendo comportamentos de agressão com adolescentes no espaço escolar. Vão desde o sofrimento pessoal chegando a causar transtornos psicológicos a comportamentos que tendem a dar fim a própria vida. Este drama foi abordado na nova série da Netflix “13 reasons why” e já são alarmantes os números de pessoas que buscam apoio psicológico por estar em condições semelhantes às vividas por Hanna Becker na série norte-americana. A série deve ser analisada com cuidado e principalmente bem mastigada por jovens vulneráveis pois o efeito ‘werther’ não pode ser descartado. Este termo refere-se a publicidade de um caso notável que serve de estímulo a novas ocorrências. Bullying e suicídio são temas amplos que abrangem não apenas a pessoa em si mas toda uma rede de pessoas a sua volta e neste texto pretendo explorar aspectos comportamentais envolvidos nos dois comportamentos levando em consideração variáveis envolvidas e funções comportamentais.

Todo comportamento repetitivo que tem por objetivo agredir alguém na escola, pode ser considerado bullying, diz-se na escola pois é o local onde jovens estão na fase de interação social, sendo o primeiro ambiente ao qual estes frequentam na sociedade e pelo qual originou-se o termo nos eventos incluindo morte de alunos na Noruega em 1993. Para melhor compreensão, Quintanilha (2011) afirma que a palavra bullying “é compreendida universalmente como um conjunto de comportamentos agressivos, repetitivos e intencionais sem motivo aparente, adotado por um ou mais alunos contra outro (a) causando angústia, dor ou sofrimento”. Imagine que Júlia é uma garota negra, católica, 10 anos de idade e tímida. Suas primeiras interações na escola são com uma turma onde alguns alunos agem com preconceito para com os demais, provocando colegas e causando desconforto que chegam a agressão física. Júlia acaba sendo alvo desse grupo de amigos que passam o tempo todo a agredi-la visto que se mostra muito inofensiva. Esta garota cresce neste espaço desenvolvendo baixa autoestima, baixa autoconfiança e baixo rendimento escolar, chegando a sentir-se ansiosa sempre que se aproxima da hora de ir ao colégio. Júlia é vítima de bullying. Embora estamos sujeitos a frustrações e insultos por parte de terceiros proveniente de sermos alvo de chateações, o fenômeno só se caracteriza caso ocorra com frequência. Em análise do comportamento chamamos de “resposta emocional condicionada”, toda ação do organismo que envolve sentimentos que são evocados ao estarmos em contato com algo que se associe a uma condição aversiva que vivenciamos no passado. Para ficar mais claro, condição aversiva é todo ambiente que nos traz algum malefício. Por ambiente nós entendemos não apenas o físico e palpável mas toda relação que influencie nosso comportamento, tanto que o outro pode ser ambiente para nós. Exemplo, João é um adolescente que vive apelidando aos colegas na escola causando constrangimento. João pode ser considerado estímulo/ambiente aversivo para aquelas pessoas que são vítimas dele. Mas voltando a “resposta emocional condicionada”, o fato de ter sido constrangido por João e isso ter provocado reações de medo quando ele assim o fez, pode fazer com que a simples presença de João em outros ambientes, evoque respostas de ansiedade na pessoa que outrora passou por situações aversivas com ele. O mesmo pode acontecer com adolescentes que sofrem bullying e apenas ao perceber que se aproxima a hora de ir ao colégio, sentem-se extremamente ansiosos, sem motivo aparente.

No Brasil, um projeto aprovado no senado em 2016 intitulado “programa de combate a intimidação” elenca oito formas de bullying que podem ser detectadas por pais e educadores em relação ao seu filho: a violência física que está associada a chutar, bater, etc.; o bullying psicológico, que nesse caso envolve intimidação, perseguição e chateação por parte dos agressores; o bullying moral podendo ser visto em calúnia, difamação e boatos sobre a vítima; o bullying verbal  caracterizado por insulto, xingamento e apelidos colocado na vítima; bullying sexual que está relacionado ao assédio, indução e abuso sexual; o bullying social que inclui a ignorância de alguém impedindo a participação dela nos grupos sociais; o bullying material que está relacionado ao furto, roubo ou destruição dos pertences e por último o bullying virtual, conhecido como cyber bullying que está relacionado a humilhação nas redes sociais, falsificando dados pessoas e provocando sofrimento através da internet. Este último vem crescendo em um número assustador nos últimos anos. Vale considerar que estes eventos já estão incluídos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal brasileiro.

Tais eventos merecem destaques pois se agravam o número de adolescentes que buscam apoio psicológico para lidar com situações de bullying. Em termos comportamentais, este fenômeno pode ser analisado como qualquer outro comportamento pois são regidos pela mesma lei comportamental: são comportamentos resultados da interação com o ambiente, nele são instalados e nele são mantidos. Para ficar mais claro, O adolescente que emite comportamentos de agressão para com os colegas busca uma visibilidade e um reconhecimento social, não obtendo de outra forma, o único comportamento que o fez ser notado e ”temido” foi o de agressão, visto que quando emite estes comportamentos ele evita ser punido pelos colegas, evita ser vítima de agressão, evita ser alvo de críticas, pelo contrário ele ganha reconhecimento, todos em sua volta fazem tudo que ele pede, os professores o veem como “dono do pedaço”, evitando repreendê-lo e no final, ele tem todas as garotas apaixonadas por ele, pois representa uma pessoa que vai protegê-las de qualquer mal naquele ambiente. Por outro lado, a vítima do agressor (bully) torna-se uma pessoa fragilizada apresentando comportamentos de pouco rendimento escolar, pois acaba não se concentrando nas atividades acadêmicas, em meio ao ambiente de perigo a qualquer momento, apresenta baixa auto-estima e baixa autoconfiança pois passa por situações onde não pode fugir, evita sair de casa para não encontrar com o agressor ou pessoas que se assemelhem a ele e a trate da mesma forma, evita contato social pelo mesmo motivo e tende a entrar num quadro ansioso e/ou depressivo. Em alguns casos a possibilidade de suicídio não pode ser descartada como apresentado na série norte-americana “13 reasons why”.

A série começou a ser exibida na Netflix  no final de março deste ano e desde então vem sendo alvo de algumas críticas tanto positivas por trazer a tona um tema importante como este, tanto negativa por romantizar o problema não abordando-o de forma delicada, como de fato o tema deve ser discutido. “13 reasons why” foi baseada no livro de Jay Asher e narra a história de Hanna Baker, uma adolescente de 17 anos do ensino médio que faz 13 gravações onde relata os motivos de seu suicídio, focando na culpabilização tanto dos amigos, quanto da escola e da sociedade em geral. Embora o bullying tenha sido um tema pertinente a ser discutido na série mostrando cenas de diferentes tipos de agressões partindo dos colegas da protagonista, culminando num ato de suicídio, a forma com foi produzida marcou de forma positiva este comportamento, como um ato de heroísmo em meio ao sofrimento de Hanna, chegando a afirmar que “suicídio não é escolha”. Partindo do pressuposto de que todo comportamento é instalado e mantido pelo ambiente, pode-se afirmar que o comportamento suicida é produto das interações do sujeito com o ambiente, QUANDO este está sob condições de risco que incluem sua fragilidade para lidar com situações aversivas, ou seja, quando o indivíduo não tem meios (comportamentos) para enfrentar um sofrimento presente. Normalmente pessoas que emitem comportamentos suicidas deixam claro um repertório comportamental pouco variado tendo em vista a limitação para lidar com frustrações. Uma mulher de 20 anos, por exemplo, que sempre foi polpada de qualquer tipo de sofrimento, tendo todos os seus desejos atendidos e tratada como uma princesa pelos pais, provavelmente tenderá a entrar numa condição depressiva (de desamparo) frente a algum tipo de frustração como o de “não ser reconhecida nos ambientes sociais”, ou até mesmo ser mal sucedida em alguma atividade, nunca feita por ela. Em alguns casos, o fato de ser traída pelo namorado, pode ser motivo de suicídio, tendo em vista sua tentativa de chamar atenção do mesmo. Nunca se sabe os reais motivos que levam alguém a suicidar-se, pois o comportamento humano é multideterminado e apenas conhecendo a história da pessoa poderá ser possível chegar a funcionalidade do comportamento de tirar a própria vida.

Ao contrário do que se pensa, não há uma resposta óbvia, imediata, simples, nem completa. Suicídio é um fenômeno altamente complexo e resulta de uma combinação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. (Zortea, 2015). Em análise do comportamento o suicídio tem como principal função a fuga e a esquiva de situações aversivas. Chamamos de fuga todo comportamento que tem por finalidade livrar-se de uma situação aversiva no momento em que ela acontece, por exemplo quando um sapato aperta nossos pés, logo o tiramos pra se livrar do desconforto. O mesmo acontece com a esquiva só que nós emitimos o comportamento de livrar-se do aversivo antes dele acontecer, por exemplo quando temos que apresentar um trabalho escolar, faltamos ao colégio justificando que estava doente. Desse modo, o comportamento suicida tem como finalidade(função) geral evitar uma situação negativa. Segundo a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio em algum lugar do planeta. Número assustador tento em vista a quantidade de meios que temos para falar sobre este assunto. Alguns teóricos abordam o tema suicídio catalogando situações vulneráveis como as citadas aqui, que vão desde situações pessoais, quanto sociais, amorosas, financeiras, orgânicas e relacionais. Algo de extrema importância que é a sobrevivência, neste tema parece retroceder a evolução, quando o próprio organismo dá fim a si mesmo, mas algo filogenético parece embasar esta questão: a apoptose, ou seja células de nosso corpo se matam pelo bem coletivo (parece até com os homens-bomba que já conhecemos). Funciona dessa maneira: a morte celular é uma estratégia de defesa contra micro-organismos, por exemplo, ao sermos infectados por um vírus, para que estes não se manifestem se multiplicando. Para que o suicídio ocorra é disparado um programa chamado apoptose e a morte celular acontece em meio a um processo, nada é de repente. Outros fatores envolvidos com o suicídio está relacionado a necessidade de atenção das pessoas a sua volta, algo semelhante ao drama vivido por Hanna na série. Neste caso, atenção pode ser definida como “reforço social”, algo que todos nós almejamos. Ser notado, é um comportamento comum que tanto os Bully quanto os suicidas tem em comum.

Então, a fim de amenizar as estatísticas de mortes por suicídio no mundo, faz-se pertinente voltarmos mais nossos olhos às pessoas a nossa volta. Um pedido de ajuda pode ser notado nas frases “a vida não tem mais sentido pra mim”, “eu cansei de viver” e/ou “qualquer dia desses eu desapareço”. Atente-se a qualquer comportamento que soe estranho no repertório normal da pessoa, digo isso me referindo também às vítimas de bullying. Esteja atento ao comportamento de seu filho em evitar ir a escola, em diminuir as notas escolares, não querer participar de grupos, isolar-se ou diminuir a quantidade de vezes que faz algo que antes era prazeroso. É necessário ser empático com pessoas que apresentam comportamento suicidas. Michael Skinner, em entrevista ao Through This, diz: ”penso que gentileza, compaixão e cuidado exercem um profundo efeito. Eu realmente acredito nisso. Mesmo que essas ações não tenham as respostas, ou que eu não tenha as respostas, se alguém está sendo validado e valorizado, eu acredito que isso possui um efeito imenso no início da cicatrização da dor”.

Diego Marcos Vieira da Silva

Graduando em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas

 

Referências:

QUINTANILHA, Clarissa Moura. Um olhar exploratório sobre a percepção do professor em relação ao fenômeno bullying. 2011. 112pg. Disponivel em: < http://www.ffp.uerj.br/arquivos/dedu/monografias/cmq.2.2011.pdf>

SOARES, Vinicius Henrique Pedrosa. Suicídio celular. Portal educação, 2012. Disponível em: < https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/biologia/suicidio-celular/21191>

ZORTEA, Tiago. Prevenção ao suicídio em nível individual: o papel da empatia no salvamento de vidas. 2016. Comporte-se. Disponível em: < http://www.comportese.com/2016/10/prevencao-suicidio-empatia>

ZORTEA, Tiago. Suicídio: observações sobre a tragédia de não mais querer viver. Comporte-se, 2015. Disponivel em: < http://www.comportese.com/2015/09/suicidio-observacoes-sobre-a-tragedia-de-nao-mais-querer-viver>


2 comentarios sobre “A ‘culpa’ é dos outros? Bullying e suicídio em tela”

  1. Ligiane Araújo disse:

    Que texto maravilhoso, meus parabéns! Rico em informações que podem nos auxiliar muito no modo como compreendemos o tema e ao mesmo tempo em como lidar com situações no nosso cotidiano. Vamos falar dobre isso, esclarecer dúvidas e ajudar alguém nessa condição. Parabéns Diego Vieira!

  2. Rose de Souza disse:

    Não é fácil falar sobre suicídio, e compreende-lo, então, se torna ainda mais complexo. Ouvir que alguém atenta sobre a própria vida para chamar atenção pode gerar várias interpretações, a que fica em mim é a necessidade de chamar atenção para um sofrimento, seja ele qual for, e que a pessoa não consegue lhe dá com o mesmo, e na intenção de fugir do sofrimento vivido ela então se mata. Pois chamar atenção fazendo um corte no pulso desejando se matar é diferente de se pendurar numa corda, tendo a morte por enforcamento. Penso que é possível fazer um cálculo e mensurar em qual atitude poderia existir volta. E aquele que optou pela a segunda situação, de fato chegou a uma decisão final sobre a própria vida. Claro, o que faço são suposições, longe de querer afirmar que os fatos ocorrem nessa linha.

    Como bem levantado por Diego, não se pode fechar com uma explicação a respeito de um assunto sem antes ter um estudo aprofundado sobre as pessoas ou a pessoa envolvida nele. A mensagem que fica, é de fato, a necessidade de não apenas falar, discutir mais sobre o assunto, e sim, nos atentarmos as relações diárias para perceber de alguma forma se tem alguém do nosso lado precisando de apoio, de um direcionamento ou acompanhamento, sem que para isso ela precise chamar atenção fazendo algo contra si mesmo. Já está mais que comprovado que esse problema/doença não escolhe classe, gênero ou idade.

    Enquanto pessoa, que pode de alguma forma exercer o cuidado com o outro é preciso ficar atento, pelo o que está em nossa volta e com mais facilidade podemos observar as mudanças comportamentais apresentada por Diego, e também por o outro que de alguma forma se mostre necessitando de ajuda.

    Uma pessoa que se encontre emocionalmente e psicologicamente equilibrada não verá no suicídio a única alternativa para findar suas angústias.

    Penso que os reflexos que uma série, um jogo ou os vários casos ocorridos diariamente deveriam deixar são os motivos pelo os quais as pessoas estão se sentindo motivadas “A”, e a partir daí pensar possíveis estratégias para lhe dá com o problema, cada caso é um caso. As vezes o assunto chega nos diversos meios de comunicação tendo outros direcionamentos, distorcendo o foco da questão.

    Diego, parabéns! Mais uma bela discussão repleta de facilitadores ou exemplos que aproxima nossa compreensão para entender o assunto a partir da análise comportamental.

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